Coisas de uma contadora de histórias


30/11/2004


Ando cismada com um par de olhos...

Joseph Mallord William Turner, "Buttermere Lake, with Part of
Cromackwater, Cumberland, a Shower" - the Tate Gall

 

Aqueles olhos verdes
(Nilo Mendes/Adolfo Utrera)

 

Aqueles olhos verdes,

Translúcidos, serenos,

Parecem dois amenos

Pedaços do luar, mas têm miragem

Profunda do oceano

E trazem todo o engano

Das procelas do mar.

Aqueles olhos verdes

Que inspiram tanta calma,

Entraram em minha alma,

Encheram-na de dor

Aqueles olhos tristes

Pegaram-me tristeza,

Deixando-me a crueza

De tão infeliz amor.

Escrito por Márcia Rodrigues às 20:34:56
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29/11/2004


Renoir _ Dança em Bougival

 

Mapa de anatomia: o olho
 

O Olho é uma espécio de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas.
É um globobrilhante:
parece cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas, naufrágios e peixes de ouro.
 

Mas por dentro há outras pinturas,
que não se vêem:
umas são imagens do mundo,
outras são invetadas.
 

O Olho é um teatro por dentro.
E às vezes, sejam atores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.
                                             Cecília Meireles

Escrito por Márcia Rodrigues às 20:43:26
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28/11/2004


"Quem é firme em seus propósitos, molda o mundo a seu modo." Goethe.

Escrito por Márcia Rodrigues às 21:25:45
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Monet _ Ninféias. A música? Mais um presente...

 

Olhe pras estrelas,

Olhe, todas elas estão brilhando por você

Por tudo o que você faz

E elas são todas tão amarelas...

Escrito por Márcia Rodrigues às 21:07:16
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27/11/2004


A música, ganhei de presente, claro... Dançando...

 
 

Picasso _ As damas de Avignon

Gosto das mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caidos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterraneo
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.
                 Nuno Judice

Escrito por Márcia Rodrigues às 12:32:54
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25/11/2004


Gustav Klimt _ O Beijo.

 

Desejo

Queria você profundamente aberta
Num beijapaixonado sem memória e futuro

Queria
prazer desintegrado no infinitamor de nossos corpos desconhecidos

Queria um rio negro
como branco
contando a Vytoria
De uma tragycomedia morta

Queria o maramoroso
De tua pele viva
E a poesia da madrugada

                                                                       Glauber Rocha

Escrito por Márcia Rodrigues às 20:34:13
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23/11/2004


Caminhos que não voltam

 

Quando o barco aportou, senti nos pés o balanço. Meio atordoada previ enjôos.

O passeio é daqueles como ir a Roma, Paris e boa parte do mundo. É obrigatório conhecer em Manaus o encontro das águas.

Agora poderia sentir o que tinha visto nos livros de geografia. Não sabia o que me esperava.  Com certeza era grande, duas horas pra descer, correr pelos caminhos que não voltam, mas não passava de rio, apenas água. Muita água!

Nas margens, palafitas coloridas mostravam as pernas pra baixa da estação. Como moças tímidas flertavam, aceitando as carícias molhadas do moreno imponente.

E a cidade... Cada vez mais distante.

Tal qual uma rede, os telhados, art noveaux entre o denso das árvores, cobriam os peixes frescos.

Logo abaixo_ gaiolas. Num balanço sobre balanços, por dias e noites, pessoas vindas de longe, apinhavam-se em redes. Por perto, ribeirinhas trocavam peixes por pão.

Sem sair do lugar, barcaças flutuantes alimentavam o ir e vir daquelas estradas inundadas.

De um lado da margem _ cidade, do outro _ mata fechada, a poder da floresta: grãos de guaraná, curandeiros sem remédios, seringueiros que brigavam com posseiros, garimpeiros e índios _ muitos índios. Certo que não vi nenhum.

Um sol, de linha imaginária, queimava a pele e espreitava de longe.

Quase reverenciando o seu poder, o barco flutuava cuidadoso a caminho do mar. Às vezes cruzava com outras embarcações, que ressoavam marolas lentas. Ninguém dava notícias. Discreto, nos conduzia em silêncio. Em alguns momentos senti medo, pois cabia respeito pela grandiosidade.

Em contraste com o negro do rio, o branco dos iates repousava em marinas poderosas. De igual maneira, no porto, containeres avermelhados _ lotados das atuais especiarias.

Tudo ia se perdendo pelas margens. E eu? Cada vez mais próxima do encontro e longe de mim. Naquele mundo de águas a espuma clara batia no casco. Talvez o Amazonas, sem pressa, nascesse novamente diante dos meus olhos. E se estivesse cansado de tanto parir? É que vim de longe!  Só mais uma vez! Ainda que fosse a última, mas que fosse pra mim.

Ao subir pros camarotes avistei uma praia. Praia? O rio acabou? A não ser que o barqueiro estivesse no rumo errado. Cada vez mais perto! Que areia era aquela?

Sobre a proa, o grito:

_ Encontro das águas! Encontro das águas!

Até que enfim! Mas não via nada! Quando nos aproximamos do que achei que era areia vi. Vi o rio, majestoso na sua plenitude barrenta. Parecia calmo, caminhava devagar. Pronto pro embate, tentava de todas as maneiras se misturar.

O Negro, lento, frio, sedimentado na sabedoria da idade, resiste. Briga e se defende. Quente e jovem, o outro mais rápido, avança lentamente. Os golpes são inteligentes. Qual deles tem mais sabedoria? O rapazinho cerca. O velho se debate.

Vitórias-régias e botos apartados nadam sem consciência da luta. Respeitam os limites. Até os troncos e folhas parecem temer as águas limpas.

Somente os barulhos do confronto batendo no casco.  Em marcha lenta, o barco dança tentando apartar os dois. Em vão! Sem tréguas, braços escuros empurram o barro.

Quem sabe pelas minhas costas um deles deixe de ser tão orgulhoso e se entregue. Mas que isso aconteça longe dos meus olhos. Não saberia qual acalentar.

Com manobras lentas nos afastamos voltando pelos caminhos que não voltam.

Sensibilizada, mareei. De olhos baixos o sol me fez entender que depois de muita resistência e vencidos pela exaustão, juntos vão parir o grande rio. Impossível resistir à natureza. Chorar não é enjoar.

22.11.2004

Escrito por Márcia Rodrigues às 19:52:25
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22/11/2004


Djavan

Pra você que aceitou os meus beijos e os de mais mil mulheres.

Escrito por Márcia Rodrigues às 09:34:59
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18/11/2004


Tanto esperei por Manaus, chegou a hora...

Bacelar _ Mulheres

Água doce

A água do rio é doce.
Carece de sal, carece de onda.
A água do rio carece
da vândala violência do mar.
A água do rio é mansa
sem a ameaça constante das vagas
sem a baba de espumas brabas.
A água do rio é mansa
mas também se zanga.
Tem banzeiro, enchente
correnteza e repiquete.
Pressa de corredeira
sobressalto de cachoeira
traição de redemoinho.
A água do rio é mansa
corre em leito estreito.
Mas também transborda e inunda
também é vasta, também é funda
também arrasta, também mata.
Afoga quem não sabe nadar.
Enrola quem não sabe remar.
A água do rio é doce
mas também sabe lutar.
A água doce na pororoca
enfrenta e afronta o mar.
Filha de olho d’água e de chuva
neta de neve e de nuvem
a água doce é pura
mas também se mistura.
Tem água cor de café
tem água cor de cajá
tem água cor de garapa
tem água que nem guaraná.
A água doce do rio
não tem baleia nem tubarão
tem jacaré, candiru, piranha
puraquê e não sei mais o quê.
A água doce não é tão doce.
Antes fosse.

                                    Astrid Cabral

Escrito por Márcia Rodrigues às 18:26:32
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16/11/2004


Edouard Manet _ Olympia

 

 

 

Conceitos desintegrados.

 

 

Talvez preconceitos sejam todos os conceitos que aprendi até os dezoito anos. Einstein disse que é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.

Sou mulher moderna e aberta pro novo _ globalizada. Procuro ficar livre dos preconceitos.

Com minha filha se formando no segundo grau e uma viagem marcada pra Porto Seguro, de despedida e formatura, foi que me dei conta dos tais conceitos.

Somente oito dias, pura badalação, roupas que se agarram e fogem do corpo em pequenos biquínis e micro-saias. Sol, praia e muito axé. Mala pronta!

Tudo pago desde o inicio do ano, incluindo mergulhos e baladas. O que não esperava é que aparecesse um namorado, também formando do mesmo colégio.

Durante o ano todo o assunto foi este. Aos 17 anos ela iria viajar sozinha e com o namorado. Não seria a primeira vez, no entanto, toda vez que viajou com ele sempre esteve debaixo dos meus olhos ou da eventual sogra. Agora seria às cegas. Bateu a preocupação!

Uma menina com corpo de mulher. O meu bebê!

Que meus pais pensariam disto? Nunca permitiram que eu viajasse com meus namorados. Mas deve ser bom demais acordar com ele ali na tua cara.

Nossas conversas sempre foram abertas sobre drogas, sexo, gravidez na adolescência e a importância do uso de preservativos. O que será que ela absorveu disto tudo? Tão comum dizermos que conhecemos bem os nossos filhos...

Até aqui me garantia a virgindade. Que virgindade? Que valores eram aqueles? Afinal, o que me preocupava? Era tão somente o rompimento de uma pele!

Não. Não era só isso. Seria mais uma passagem, agora pra ser mulher.

Nem sempre a primeira vez é difícil e decepcionante. Talvez “ele” sinta medo... E ela? Será que vai sentir dor? Algumas mulheres não sentem nada. Outras precisam de muitos ensaios. Espero que eles sejam gentis e pacientes.

Como seria bom estar ao lado dela, dizer-lhe que é assim mesmo: bom e dolorido. Ver minha menina se tornar mulher. Mas nesta hora, nada de mãe por perto.

No dia marcado embarcou feliz ao lado do namorado. De coração apertado me fiz forte e tentei sobreviver naqueles dias. Claro que as ligações foram poucas, o celular ficou com a desculpa de não ter como carregá-lo pra lá e pra cá. Um silêncio dolorido e incolor. Cada vez que nos falávamos sentia a sua voz feliz e podia ouvir o brilho gritante dos seus olhos esverdeados.

Quando chegou linda e bronzeada, cheia de lembrancinhas e tatuagens de henna, esqueci por completo os tais conceitos, só queria curtir o meu bebê inteiro e de volta pro meu colo.

Dias depois, cheia de coragem perguntei:

_ E aí? Como foi? Aconteceu algo mais?

Meu rosto pegava fogo. Que pergunta mais idiota! Mas como perguntar se ela ainda era virgem? Que diferença faria? Ela não mudou em nada, era a mesma menina de sempre. Que invasão era essa? Que direito eu tinha? Sou a mãe, tenho que saber pra poder ajudar. Ajudar em que? Mas sou eu que pago o médico! O mesmo que fez o parto dela!... Talvez ele pudesse me contar. Será que contaria? Mas e a ética? Neste momento era o que menos importava.

O que ela responderia? Por que perguntei? Vai mentir! Não! Nunca mentiu, não seria agora. Vai mentir! Tremi esperando a resposta.

Com um olhar manso e de olhos caídos ela me disse:

_ Quase mãe. Quase!

Escrito por Márcia Rodrigues às 22:28:51
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Escrito por Márcia Rodrigues às 21:24:42
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No escuro do carro.

 

Diante do farol fechado, li uma placa de propaganda sobre insul film.

Poxa! Eu tinha certeza que era insufilm.

Quando coloquei essa película escura nos vidros, só queria me prevenir contra assaltos. Nem sabia como escrever, mas aprendi.

A tal escuridão nos dá a falsa impressão de proteção. Mesmo meu carro estando equipado com GPS, o melhor mesmo foi optar por ela. Se bem que, acabou de vez com as paqueras no transito. Nesta cidade, nada como aliviar as tensões olhando pro lado e tendo a visão de alguém bonito. Pela manhã, os flertes, são mais interessantes. Todos de banho tomado e roupas limpas. Provavelmente, cheirosos. Mas...  Com vidros fechados.

O farol continuava vermelho, não fazia diferença _ tudo parado. Um menino se ofereceu pra limpar o pára-brisa. Fiz sinal de não e nada adiantou. Com uma garrafa plástica e um rodinho, que mais sujava do que limpava,  tentava cumprir o seu trabalho. Bem que poderia lavar o carro todo, estava tão sujo!

Agora teria que pagar. Na bolsa achei umas moedas e assim fiquei sem trocado pro cafezinho. Quando abri o vidro, vi um cartão com chicletes:

“Bom Dia, estou desempregado e esta foi...”.

Nem acabei de ler, quando um motoqueiro desencaixou o espelho do retrovisor, derrubando o cartão. Mas não tinha trocado pros dois, ou pagava um ou outro. Depois de encaixar o espelho, paguei pelo pára-brisa sujo e fechei o vidro.

De boca amarga, pensava: Qual seria o tamanho do mercado daqueles vendedores? Bom, fácil de calcular, bastaria saber quantos faróis existem em São Paulo.

Qual seria o capital de giro? Com certeza, um investimento pequeno. Além disso, não sei onde foram buscar tanto conhecimento de mercado. A qualquer hora do dia e da noite estão espalhados pela cidade. Seriam homens que vivem pro trabalho?

Depois do farol abrir, dobrei a esquina e o congestionamento tomava conta de tudo.

Idéias não faltam nesta cidade! Malabaristas! Mendigos! Vendedores!

O espaço é igualmente dividido entre pessoas e bugigangas.

Indiferente a tudo, o marronzinho, com sua moto em cima da calçada, só se preocupava em preencher o talão de multas.

Uma ambulância gritava dois carros atrás. O corredor estreito, entre os carros, destinado aos motoqueiros, era pequeno demais pra ela. Liguei o rádio pra tentar disfarçar todo aquele barulho. Ao meu lado uma van, no banco de trás, dormindo numa cadeirinha, uma criança despencava a cabeça sobre o corpo. Nem se dava conta do barulho! Mais a frente um casal se beijava, brindando o transito. Delícia namorar no carro!

No alto de um prédio uma seqüência de imagens, o out door eletrônico desviava minha atenção. Mostrava imagens de uma praia ensolarada e eu ali cozinhando no calor.

_ Passa a bolsa tia!

Ao abaixar o vidro escuro, vi um garoto que tremia com uma arma na mão. Como quem detém o feed back de assaltos é a garotada dos faróis, nada tinha a fazer, entreguei a bolsa e ele fugiu entre os carros.

Ah!  Como gostaria de saber lidar com essa situação! O transito andou. O marronzinho ficou pra trás e nada pude fazer, nem gritar! E saber que tudo isso acontece num minuto e meio! De nada adiantou estar usando insufilm ou insul film.

24.07.2004

Escrito por Márcia Rodrigues às 08:48:15
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15/11/2004


Toulouse Lautrec _ O baixinho que sabia das coisas... Prefiro os altos...

Escrito por Márcia Rodrigues às 13:46:39
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Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....     Olavo Bilac ( antigo e perfeito)

Escrito por Márcia Rodrigues às 13:45:56
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Escrito por Márcia Rodrigues às 13:45:01
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14/11/2004


O Pensador _ Rodin

Escrito por Márcia Rodrigues às 11:29:49
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Reverência ao Destino...

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que
expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer,o
quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer
diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja
ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade
quando for preciso.E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra
fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te
respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.Difícil é mentir
para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o
que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso
é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" Difícil é dizer "adeus". Principalmente
quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir
a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma
corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade,
sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E
aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando
o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas
próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar
esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de
chorar ou chorar de rir, de alegria..

Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que
pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração
de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha
intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
(Carlos Drummond de Andrade)

Escrito por Márcia Rodrigues às 11:07:53
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13/11/2004


Aniversário.

Meu filho querido, hoje comomero o dia dos teus anos. São vinte anos de amor. Obrigada.

Escrito por Márcia Rodrigues às 09:08:34
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A bunda que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda.
                      Drummond

Escrito por Márcia Rodrigues às 09:06:14
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12/11/2004


Pra você filhote distante...

Portinari _ Dom Quixote

Escrito por Márcia Rodrigues às 08:47:58
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Drummond

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Escrito por Márcia Rodrigues às 08:39:34
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10/11/2004


"O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar" Charles Chaplin

Escrito por Márcia Rodrigues às 17:50:07
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"Lembre-se: você é do tamanho dos seus sonhos". Roberto Shinyashiki

Escrito por Márcia Rodrigues às 17:49:17
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"A única maneira de se livrar de uma tentação é entregar-se a ela" Oscar Wilde

Escrito por Márcia Rodrigues às 17:48:19
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"Os vasos vazios são os que fazem mais barulho" William Shakespeare

Escrito por Márcia Rodrigues às 17:46:22
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"Quem controla as suas palavras é sábio e quem mantém a calma mostra que é inteligente." Pv. 17:27

Escrito por Márcia Rodrigues às 17:44:28
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A grande musa de Dalí...


Odila 

NA LÍNGUA 
DE DALI


Eu sou o instrumento, Dali me disse um dia.
Pois é assim mesmo que me vem:
Você é um Dali das letras ?
Criando absurdos contornos do sentimento
Sinuosos rastros úmidos
Carta orais 
Mentais
Descalabros
Aqueles olhos inquirindo
Gala, traindo 
Gatos dormindo.
Sem Dali, letras 
Sobrevivo.
Surrealismo ?
Fantástico.
Laivos descarados, molhados
Dobra, rodeia, serpenteia
Tem a língua, na ponta
Ondas de mar a terra 
Entre serras, seios, selvas 
Unidos, lavados
Linguados
Peixes !
Dali, na boca
Gala, Galarina
Canta língua gloriosa
Os mistérios do corpo
Salvador 
Salvado
Dali

Escrito por Márcia Rodrigues às 08:31:14
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08/11/2004


Eu amo músicas longas, são boas de dançar...

 Degas - bailarina

 

A Serpente que Dança

Babo de ver, gata indolente,
Do teu corpo de modelo,
Como uma lingerie insolente,
Tremeluzir o pêlo.

Sobre teu cabelo profundo,
Acres perfumes,
Mar odorante e vagabundo,
Ondas azuis e negrumes,

Como um navio que se espelha
No vento do novo dia,
Minha alma sonhadora aparelha
Para um céu de utopia.

Teus olhos que nada revelam
De doce nem de fatal,
São jóias frias que modelam
O ouro com o vil metal.

Quem te vê nesse andar que balança,
Manhosa de exaustão,
Imaginaria uma serpente que dança
Na ponta de um bastão.

Sob o fardo da lascívia
Tua cabeça de infante
Ondeia com a malícia
De um jovem elefante,

E teu corpo se dobra e estira,
Como um barco sem mágoa,
Que costeia a margem e atira
As suas vergas na água.

Como as vagas alimentadas pelas fontes
Das geleiras mordentes,
Quando as águas da tua boca são pontes
Para o fio de teus dentes,

Creio beber da Boêmia um vinho,
Amargo e campeão,
Céu líquido que faz um caminho
De estrelas no meu coração!

                                                    Charles Baudelaire

Escrito por Márcia Rodrigues às 22:03:17
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Renoir e sua suavidade

 

Dia sem sentido.

 

Quando acordei vi pela janela um dia bonito, o sol estralava no céu de tão azul.

Tudo parecia calmo, morto! E dentro de mim uma angustia. Saudade enorme dos meus mortos. Era o dia deles:

_ Ir ou não ao cemitério?

Como? Sem flores? Não comprei! Até o começo da tarde decidiria.

Na frente do espelho meu reflexo amassado de uma noite mal dormida. Talvez um gel nos cabelos, um pouco de spray, óculos escuros. Ainda tinha o almoço por fazer. Dentro da pia um peixe escorria água. Mesmo morto pedia tempero e forno.

Por que descongelei? Agora teria que assá-lo. Sentia uma preguiça fúnebre.

A manhã seguia quente e eu sem saber se iria ou não.

Também pra que? Tremenda sacanagem! As duas me abandonaram tão cedo!

Minha mãe resolveu sumir quando menos esperava, minha irmã até que deu sinais da partida, mas como eu era a mais nova, jamais acreditei. Melhor não ir. Que se danem!

Com minha saudade medíocre comecei o almoço. Não me saiam do pensamento.

Melhor eu ir, assim poderei brigar com as duas. Terão que ouvir todos os meus desaforos. Afinal quem sobrou aqui sozinha fui eu. Esse papel de única mulher viva da família não me atrai. Recuso essas responsabilidades. Ninguém pode me obrigar.

Como temperar o peixe? Minha mãe dizia: sal e limão. Mas minha irmã: sal, limão e alho.

­­Nem um, nem outro. Que vocês estão pensando? Depois de tanto tempo ainda me atormentam com essas dicas? Ora. Ora. Melhor que me deixem em paz!

Sina de mulheres cozinheiras! Herdei todas as receitas. Mas vou fazer do meu jeito, com tempero pronto! A viva aqui sou eu!

Se comprasse um vaso de crisântemos, daria pra duas. Ainda bem que estão juntas, pois  flores estão com o preço pela hora da morte. Com certeza minha mãe vai reclamar. Não vou dar ouvido. Ainda que lembrei!...

E as horas corriam. Servi a sobremesa e não decidia.

Quase 15 horas, o cemitério fecha as 17. Por que ir? Nunca saberiam que estive lá. Quanto às flores, murchariam e amanhã seriam recolhidas e postas no lixo.

Com certeza faria papel de boba. Nem túmulo tem pra limpar! Só aquela lápide fria, de mármore, rente ao chão. “Aqui jaz duas mulheres que fizeram jus à vida”, ficaria bom, mas não há espaço pra epitáfios, mal cabem os nomes. Será que meu cunhado colocou o da minha irmã? O da minha mãe foi feito em bronze. Bom se usasse o mesmo tipo de letra.

Como estará o jardim? Tanto tempo que não apareço por lá. Deve estar bem cuidado, a conservação é cara demais! E aquele viveiro? Bonito! Pra que viveiro? Os pobrezinhos cantam pros mortos, eventualmente pros vivos. Cada uma! Melhor ser como os mexicanos e brincar com a morte.

_ Não vou!

Afinal eu já estava com a cara tão amassada, derrubar algumas lágrimas só iriam piorar o meu aspecto. Além disso, elas poderiam ver. Não gostariam que eu chorasse. Por que a preocupação com minha aparência? Era um dia morto mesmo!

Então devo ir.  Devem estar me esperando.

Agora passa das 16, só tenho menos de uma hora. Preciso decidir. Não vai dar tempo de comprar flores. Qualquer dia destes compro. Posso mandar entregar também. Mas quem iria receber?

Claro que ficariam felizes de serem lembradas. Já que não esqueço nunca... Não preciso ir ao cemitério.

Ao entrar na sacada vi a orquídea tímida querendo brotar. Sinal de vida. De livro na mão fiz questão de perder a hora e a noite chegou.

Quem sabe no próximo ano eu tenha coragem. Agora tenho 365 dias pra decidir.

03.10.2004

Escrito por Márcia Rodrigues às 06:41:04
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06/11/2004


Delacroix _ Liberdade ... Ofereço aos filhos alheios...

Escrito por Márcia Rodrigues às 23:09:43
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Alexandre O'Neill

 

Sei os teus seios.
Sei-os de cor.
Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.
Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.
Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!
Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!
Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?
Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?
Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!
Quantos seios ficaram por amar?
Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!
Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!
Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...
Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.
Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...
Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!
Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...
O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"
Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!
Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.
Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!
Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!
"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"
Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.
Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...
Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...
Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...
Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!
Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.
Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser

Escrito por Márcia Rodrigues às 23:05:49
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05/11/2004


Bosch _ Jardim das delícias

Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
                                               Bandeira

Escrito por Márcia Rodrigues às 14:19:34
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04/11/2004


MONTE CASTELO
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo
Inc. Adapt. "I Coríntios 13" e "Soneto 11" de Luís de Camões


Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua do anjos, 
Sem amor eu nada seria.

É só o amor, 
É só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal 
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver 
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente 
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos, 
Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente 
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor 
É um ter com quem nos mata a lealdade 
Tão contrario a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo
em parte
Mas
então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua do anjos,
Sem amor eu nada seria. 

Escrito por Márcia Rodrigues às 15:23:48
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02/11/2004


Ganhei o Matisse, sem saber que a tela era dele. Tentando descobrir, achei Edgard Degas, ele pintou a dança como poucos. Prometo compartilhar com vocês essas maravilhas.

Escrito por Márcia Rodrigues às 14:26:50
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Henri Matisse _ Two dancers.

Tantos mimos, tantos presentes... Vamos dançar...

No baile em que dançam todos
Alguém fica sem dançar.
Melhor é não ir ao baile
Do que estar lá sem estar.
                                     Fernando Pessoa

Escrito por Márcia Rodrigues às 13:41:06
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31/10/2004


Brincando de ser o que não é...

"Quem perde seus bens, perde muito; Quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo."

                                                         Miguel de Cervantes.

"Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira".

                                               Tolstoi.

                                                

Escrito por Márcia Rodrigues às 23:30:28
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Homens incomuns existem. Esta frase foi presente de um flanelinha _ temporariamente.

" Eu te amo. Que tens tu com isso? "

                                                     Goethe

Escrito por Márcia Rodrigues às 23:24:48
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